Páginas

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Crônica do Dia

Sarau da Oficina de Crônicas 

Hoje, temos o orgulho de falar sobre o sucesso que foi o nosso Sarau da Oficina de Crônicas, realizado ontem (29/06/2011), onde nossos escritores expuseram brilhantemente seus melhores textos já produzidos. Cada vez mais a produção literária em nossa Oficina vem melhorando e torna-se algo bastante prazeroso para todos os que produzem, para os que  postam e para os que acompanham o nosso Blog, que é uma ponte para a divulgação de literatura e entretenimento. 

ESPERAMOS QUE TODOS TENHAM GOSTADO E QUE CONTINUEM CADA VEZ MAIS INTERESSADOS EM ESCREVER E LER!     

terça-feira, 28 de junho de 2011

Crônica do Dia

Sobre o filme "Cartas para Julieta", o aluno Rubim, nos traz um pequeno resumo do enredo dessa história emocionante. Espero que, depois dessa chamada, todos se inspirem para ver o filme ou, quem sabe, ler o romance original!


Cartas para Julieta

O amor, sempre cantado pelos poetas, também é o tema para um belo filme: "Cartas para Julieta".
Como, até hoje, o romance de Romeu e Julieta sobrevive e ainda é paradigma de um amor sublime e trágico, é interessante verificar que Verona, onde se deu o suposto romance, escrito por Shakespeare, ainda cultua os seus personagens.
As "Cartas das Julietas", apresentam missivas de amores desejados, mas com dificuldade de serem concretizados. 
Colocadas nos muros da denominada "Casa de Julieta", elas são respondidas por uma equipe de mulheres, funcionárias da prefeitura, extremamente dedicadas a tal serviço.
Quando uma personagem do filme encontra, ocasionalmente, uma dessas cartas e decide respondê-la, desencadeia-se uma série de acontecimentos que não estavam previstos.
A autora da carta se encontra com a responsável pela resposta. Ela agora é viúva e vem acompanhada de seu neto.
O amado, abandonado anos atrás, depois de muita procura, é encontrado e o amor ressurge. Ele também é viúvo e assim, eles se casam.
A descobridora da carta e o neto se apaixonam, e ala rompe o compromisso com seu noivo.
Será que Shakespeare gostaria que esse romance terminasse tão otimista que suprime tantas desgraças e traz uma grande felicidade?

Rubim Fortunato


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Crônica do Dia

E para comemorar a volta do feriadão em clima de romantismo, trazemos a crônica de Dia dos Namorados do Samuel. Encantem-se...

UM HOMEM/UMA MULHER


Que impressões, que emoções, que lembranças poderiam ser sentidas, após assistirmos um filme como “Carta para Julieta”? 
Meditei sobre o tema, considerando a situação particular dos  que  atravessam  a  fase da  terceira  idade.  Enquanto não  nos faltar o entusiasmo, sustentado pela paixão, buscamos nos realizar como  entidades  opostas  em  comunhão. O  princípio masculino em união perfeita com o princípio feminino. 
Quantos  de  nós  temos  deixado    no  passado  um relacionamento  incompleto,  que  por algum  temor  imaturo não  se concretizou...   Mesmo um namorico na  infância  fica gravado  em nossos  corações;  devido  à  insegurança  daquela  fase,  são lembranças de uma fantasia pueril. Alcançando a adolescência, a atração  física  saudável  para  ambos  os  seres  surge  por  instinto. Promessas para um futuro incerto são necessários para uma possível continuidade. 
O  tempo  passa  e  muitas  causas  vão  modificando  as relações humanas. Se alguma promessa não for cumprida, isso não significa,  forçosamente,  uma  traição.  São apenas  adaptações sociais a que se submetem os enamorados. Alguns nunca mais hão de  se  encontrar. Outros  se  cruzarão  nos  caminhos  da  existência, apenas  para  se  reconhecerem    compromissados.  Outros  tantos, após  uma  separação  dolorosa,  por  divórcio  ou  por  viuvez, possivelmente  terão  a  grata  sorte  de  reencontrarem  aquele  amor da  juventude, em  iguais condições de estado. E aí poderá ocorrer, ou não, mais uma vez, a conjunção das almas viventes. 
Considerando a nossa  situação na  terceira  idade  ou na segunda  infância    como  queiram  -,    com  a  produção  dos hormônios  atenuadas,  ganhamos  algo  excepcional,  que  é  a sublimação  de  nossos  egos. O  homem    não  se  sente  atraído  por aquilo  que  “contempla”;  a  mulher    não  se  sente  atraída  por aquilo  que  “escuta”.  Então,  o  que  é  capaz  de  nos  aproximar  do outro  ser  que  nos completa  numa  plenitude  existencial?  Seria  a necessidade simples de se apoiarem um ao outro? Ou seria sentir a espiritualidade manifesta do outro, aceitando como ele ou ela é? E,  aceitando,  deixamos  o  outro  livre.  A  beleza  enaltecida  dessa liberdade é que nos possibilita atingir o paraíso, no aqui e agora, enquanto possível à vida no corpo. 
Que encanto a aproximação de idosos sem a imposição da atração  física. Quão maravilhosa  é a manifestação  de  um amor puro,  desinteressado,  cristalino,  envolvido  numa  felicidade radiosa, capaz de ser percebida e sentida por outros corações.  É a união das energias dos princípios opostos, em harmonia holística, geradora  do  amor  e  de  amar,  da  criatividade  e  da  criação,  do silêncio  e  do  som,  do  estático  e  da  dança,  do  transitório  e  do eterno. 
Naturalmente,  uma  sedução  por  sensualidade  poderá ocorrer e em nada obstar uma conjunção carnal, se desejada pelos amantes. 
O mais admirável e  emocionante,  sempre,  é o  reencontro dos  apaixonados,  após  longo  período  de  separação  física.  A  nós expectantes,  causa-nos um nó na garganta  e um aperto no  peito, do qual não devemos, em hipótese alguma, nos envergonhar de tal sentimento – eleva-nos o espírito. 
Por  isso,  nós,  os  idosos,  temos  a  oportunidade,  quando descompromissados, com  liberdade,  já não  tão  sujeitos ao  instinto de  reprodução,  de  realizar  aquilo  pelo  que  realmente  existimos, isto é, manifestar AmoR (R maiúsculo de responsabilidade), com o respeito espiritual merecido por ele ou ela - a outra face da mesma moeda. 
Também,  porque  o  Universo  nos  escuta,  devemos  sempre expressar  verbalmente,  agradecidamente,  constantemente,  sem leviandade:

- Eu te amo, meu amor! 

Em 12 de junho de 2011 – Dia dos Namorados. 

Crônica  dedicada  a minha  namorada,  Alegra,  após  43 anos de matrimônio.   

Samuel Kauffmann.  

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Convite




Hoje, excepcionalmente, não postaremos um trabalho dos alunos, mas sim faremos um convite especial a vocês que acompanham a nossa Oficina.
No dia 29/06/2011, próxima quarta-feira, às 14h na sala do Ler UERJ(11.111, A, Bloco F), para o

SARAU DA OFICINA DE CRÔNICAS

Venha prestigiar seus colegas!
Contamos com a sua Participação!  
E bom feriado!!!
Por: O LerUERJ

terça-feira, 21 de junho de 2011

Crônica do Dia

O aluno Apolinário revela em sua crônica todo o seu cansaço e os prazeres que descobriu no caminho do descanso.

Cansei

Acordei bem cedo, as cinco e trinta já estava de pé, me paramentei com minha roupa de ginastica, tênis, meias brancas – calção e camiseta – e fui andar. Percorri a estrada com os meus pensamentos à tiracolo. Todos aqueles assuntos da semana anterior, todos desta semana; como sempre o que nos chegam via TV, e seus noticiários alarmantes e ditos de maneira escandalosa – com pouca ou nenhuma preocupação em informar ou ensinar – mas sim em causar pânico, contradição e polêmica.

As polêmicas representam o feijão com arroz dos canais de TV, dos jornais e das revistas, não importa se verídicos ou não, não interessa se útil ou inútil, apenas que causem muito rebuliço e disse me disse – fiquem, pois, atentos ao que realmente pretendem os jornalistas de plantão. Cansei de tanto mal caratismo, de tanta ânsia em busca de factoides que gerem rebuliços e causem horror, cada qual maior e mais horripilante, ou que nos conduzam a conversas sobre o assunto, a revoltas silenciosas desde que não incomodem ninguém.

Todos sabem perfeitamente o que estão fazendo – porque o que focam é isso mesmo, causar o máximo de impressão, irresponsavelmente, é bom que se diga. Porque a busca do lucro – sem considerar qualquer lei natural de caráter moral há muito deixou de existir em nosso meio, se é que algum dia existiu – e para isso temos uma desculpa infalível – estamos vivendo um mundo globalizado. Mas isso não buscaram também os Persas?

Cansei dos debates sobre o certo x errado – sobre o bem x mal, sobre o justo x injusto, legal x ilegal – nenhum dirigente de governo – ou seja, aqueles que detém o poder de impor filosofias, ou ideologias – nenhum dirigente de empresa, ou empregado graduado estão voltados a uma vida melhor para coletividade, para o cidadão comum, ou para uma vida mais natural e ecológica. Todos, inclusive aqueles que confessam credos diferentes, estão sim preocupados e trabalhando arduamente para manter seus padrões de conforto e bem-estar – o que, diga-se de passagem não há mal nenhum – o que há de péssimo são os excessos cometidos e o fingimento hipócrita reinante.

Todos se julgam merecedores de maiores quinhões, todos se acham injustiçados de alguma forma e por isso tendem a boicotar e a dificultar o fluxo normal de funcionamento das instituições – a preocupação com seu individualismo, embota e obscurece a visão do todo. E em nome do desenvolvimento se arrasa a vida do planeta como um todo harmônico e provedor de vida.

Deixar de fazer o que tem de ser feito, porque se julga minimizado no seu salário é uma doença que atinge uma grande maioria do povo brasileiro. E isso é uma verdade defendida ou advogada para negligenciar suas obrigações, porque ganhar mais ou menos jamais fará alguém ser mais ou menos eficaz naquilo que se propõe a fazer. Quem sabe fazer direito, quem aprendeu a trabalhar eficientemente, faz independente do quanto ganha, porque cuidado, atenção, zelo, bom gosto, brio próprio, arte e prazer em construir não se compra a preço do vil metal. A moeda que define o bom trabalho do ruim é consciência.

O que se compra com dinheiro é ganância, vaidade, orgulho, egoísmo, prepotência e exibicionismo. Claro – acúmulo de bens supérfluos e uma índole individualista de todo poderoso, que se preocupa muito mais em menosprezar os seus pares do que conviver como iguais.

Apesar disso - o dinheiro é um bem, porque regula os meios de troca.

Cansei – rumei em direção a um riacho de águas limpas, tirei os calçados e as meias, molhei os meus pés com água corrente fria como gelo, molhei minha testa e nuca, bebi com as mãos em concha e me deleitei a ver os reflexos do sol brilhando na água.

Como eu, na outra margem vi um sabiá fazer o mesmo com grande alegria em sua alma, saltitava pra lá e pra cá, sacudindo as asas e alegrar-se apenas com o dom de viver a vida que Deus lhe deu. Por um momento me senti um pássaro, livre para viver o prazer do simples. Porque nós não fazemos apenas isso.

O sol crescia – aquecendo gostosamente o meu corpo – a paisagem me vestia por inteiro e não resisti ao convide da relva molhada pelo sereno da madrugada e deitei preguiçosamente. Meus olhos passaram a contemplar a fuga das nuvens e assim permaneci em contemplação. Sem nada a pensar.

Apenas voltei minha atenção a sentir o frio das gotículas a perpassar minha roupa e atingir minha pele. Apenas vivia. Respirava os odores do mato verde, sentia o oxigênio a entrar friamente por minhas narinas. Os meus sentidos foram se harmonizando com o ambiente até que adormeci, angelicamente. Vivi.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Crônica do Dia

Pra começar a semana, temos a crônica da aluna Stella, que nos conta sobre a história de um acessório muito famoso: a luva! Então, calcem as suas e mãos à obra!

As Luvas

Se há um conflito de gerações, um deles é a luva.
Nos tempos de outrora, nem se pensava em ir a um casamento, ou a um espetáculo de gala, sem luvas. Existiam até lojas especializadas, como a Luvaria Gomes, em que, junto com os chapéus, eram vendidos todos os tipos imagináveis de luvas.
Na sua origem, a luva vem da mitologia grega, em que Afrodite, enamorada por Adônis, resolveu solicitar as três graças que lhe providenciassem algo que protegesse suas mãos, já que decidira acompanhar o seu amado às caças e não desejava que a alvura delas se prejudicasse.
A mais antiga de que se tem notícia veio junto com Tutancamon, séc.XIV a.c.. Mas, acredita-se que, mesmo o homem pré-histórico já deveria usá-las como proteção contra o frio.
Em 800 a.c., em Esparta, nos regulamentos dos jogos olímpicos, a única vestimenta permitida era a luva.
Bem mais tarde, a variedade delas era enorme. Existiam as de seda, as de algodão, de tafetá, rendadas, ricas com pedras preciosas e pobres, simples, e cada uma delas adequada às situações e também de acordo com as usava.
Na Idade Média, era o início de um duelo entre cavalheiros. Quem se sentia ofendido, jogava-a no rosto do oponente e daí se iniciava a querela. 
Houve uma época em que a luva era o instrumento de corrupção. Enchia-se de moedas uma delas e oferecia-se a quem se queria subornar.
No séc XIX, as mais apreciadas e elegantes eram oriundas de Roma e Paris e algumas vezes costuradas na Inglaterra, o que fazia seu preço elevar-se aos píncaros da vaidade. A etiqueta assim o demonstrava.
Vieram também as de couro, mas, hoje em dia, só conheço as de motoristas e aposto em quem ainda as possuir e, se as desejar, onde comprá-las?
Acho que esse "grande" problema poderá ser resolvido pela internet, mediante uma pesquisa tecnológica e profunda. 
Essa é a real diferenças e conflito entre gerações!

Stella Muehlbauer

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Para terminar a semana, temos a crônica do aluno Samuel. Dessa vez, ele nos conta sobre sua relação com a música em si e critica seus caminhos no país. Bom fim de semana!!!

A Música e Eu

Reminiscências



Minhas relações com a música, até onde minha memória alcança, 
iniciam-se com um fato que eu considero extraordinário.
Corria  o ano  de  1949,  ou  talvez  o  de  1950;  tinha  então
uns sete ou oito anos de idade. Sempre após o almoço, por volta das
treze  horas,  mamãe  ligava  o  rádio,  sintonizando  a  Rádio
Nacional,  para  escutar novelas  radiofônicas,  logo após o  término
do “Repórter Esso” – famosíssimo.  O fundo musical daquelas novelas
era  sempre  com a utilização dos  clássicos do  século  XIX, mais do
que com os populares, com o objetivo de impressionar os ouvintes. E,
acreditem,  conforme  os  enredos  do  radioteatro  causavam mesmo
impactos - pelo menos comigo. Em uma das novelas, contando uma
história espírita, utilizaram o primeiro movimento de “Quadros de
uma  Exposição”,  após  o  “Promenade”,  a  pintura  “Gnomus”    era
impressionante como nos levava a imaginação para “ver” o saltitar
das entidades grotescas. A música é do compositor russo Mussorgsky.
O  mais  importante  é  o  que  lhes  passo  a  narrar:  “Estavam
executando  um  solo  de  violino.  Então,  segurei  um  instrumento
invisível, apoiei-o em meu ombro esquerdo,  firmei-o com o queixo,
com a mão direita  sustentei o arco, também invisível, e comecei a
acompanhar  o  som  que  saia  do  radio,  com  movimentos  de  um
violinista  exímio.  Vejam  bem,  naquela  época,  ainda  não  havia
televisão; eu nunca tinha visto alguém tocar violino”. As conclusões
deste fenômeno, eu deixo por conta de vós outros.
Bem,  quando  meus  genitores  souberam  do  ocorrido,
resolveram  presentear-me  com  um  violino  clássico,  bem  velho.  A
mamãe  logo providenciou para que eu  tomasse aulas particulares
de piano – o que não tinha nada a ver – tanto que após a iniciação
musical  acabei  por  rejeitar  o  piano.    O  papai  procurou  por  um
professor  de música  versado  no  violino    uma  dificuldade  numa
cidade  provinciana  no  interior  do  norte  do  Estado  do  Rio  de
Janeiro – Campos dos Goitacás – que nem escola de música possuía.
Encontrou um alfaiate que se dispôs a ensinar-me. Logo no início,
ele  percebeu  que  eu  precisava  educar,  tecnicamente,  a  audição.
Orientou-nos  para  tomar  aulas  de  solfejo,  indicando  uma  igreja
protestante que estava a  formar um orfeão com  jovens de boa voz.
Fui  matriculado  e  comecei  a  participar  das  aulas  de  solfejo.  O
professor era bom e paciente. Ensinou-nos a ler a pauta musical.
O difícil era ler a nota e emitir o som correto – este era o objetivo do
cursinho. Um dia,    estava anoitecendo,  logo após  o  término da
aula, o maestro pediu-me para não ir embora, pois o Pastor queria
conversar comigo. Aguardei por bem mais de meia hora, até que o
Pastor  requereu a minha  entrada no  templo. Encontrei um grupo
de  senhores  de  terno  preto  que  olhavam  para  mim  com
curiosidade.  Começaram  por  fazer  perguntas  que  até  a  presente
época não  consigo  ter  plena  compreensão,  pois nada  tinha a  ver
com  o  meu  interesse  de  aprender  a  tocar  violino.  O  final  da
conversa  tinha  a  intenção  de me  converter  àquela  religião  e  ser
batizado. Hoje, julgo uma coação com uma criança de apenas oito
anos de idade. Acabei por chegar a casa, após uma caminhada de
vinte minutos, por volta das dezenove horas. Minha mãe  já estava
aflita  e  angustiada;  e  eu muito mais  do  que  ela.  Consequência:
nunca  mais  coloquei  os  pés  naquela  escolinha,  sufocando  uma
provável carreira musical. 
Passado  alguns  poucos  anos,  eu    com  treze  anos  de
idade,  esquecido  de  qualquer  vocação  musical,  testemunhei  o
interesse de minha  irmã  por aprender o acordeão, que estava  em
moda  naqueles  idos.  Geralmente  as  moças  das  classes  mais
abastadas  optavam  pelo  piano.  Como  este  tem  custo  elevadíssimo,
ficou  mesmo  com  a  sanfona.  Todavia  a  maninha  não  se
entusiasmou  o  bastante  para a  continuidade dos  estudos; acabei
por  demonstrar  o meu  interesse musical  nato  e  fiquei  senhor  do
instrumento  por alguns anos    creio  que até a  véspera do  serviço
militar  (a  partir  daí  nunca mais  toquei  no  acordeão).  Tomava
aulas  particulares  com  uma  professorinha  muito  paciente  e
naturalmente  simpática.  Eram  aulas  práticas,  que  me
possibilitavam  executar  as musicas  lendo  a  pauta.  Uma  das  que
mais me  encantou  foi  o  tango  La  Cumparsita”.  Outra  era  uma
canção  russa  intitulada  “Olhos  Negros”,  que  meu  saudoso  vovô
cantarolava em russo – ele era polonês e servira no exercito do Czar
durante a primeira grande guerra. Havia também uma valsa com
o  titulo  “Danúbio  Azul”,  resumida  em  poucos  compassos.  Enfim,
estou  lhes  expondo  o meu  contato  com  a música  universal    um
encanto mágico. 
Desde  criança  e  durante  a  adolescência  e  juventude,
minha  atenção  se  prendia  ao  que  hoje  podemos  intitular  de
clássicos populares. Não somente pelas belas melodias como também
pelas letras extremamente poéticas e, também filosóficas, das quais
darei  alguns  exemplos,  que  a  atual  geração  talvez  nem  tenha
conhecimento. Vejamos:  
- Da primeira metade do século passado:

     1 – Compositor: Catulo da Paixão Cearense
     Música: Flor Amorosa 
     Cantor: Francisco Carlos
  
     Poema:
     1ª estrofe:
Flor amorosa, compassiva, sensitiva,
Vem; porque
É uma rosa orgulhosa, presunçosa,
Tão vaidosa.
Pois olha a rosa tem prazer em ser beijada,
É flor, é flor...
     - Última estrofe:
Oh, por que juras mil torturas,
Mil agruras, por que juras?
Meu coração delito algum por te beijar
Não vê, não vê, só por um beijo,
Um gracejo, tanto pejo.
Mas por quê? 

     Música: Luar do Sertão.
     Cantor: Paulo Tapajós.
     Poema: 
     1ª estrofe:
Não há, ó gente, oh não
Luar como este do sertão...
Oh que saudade do luar da minha terra,
Lá na serra branquejando,
Folhas secas pelo chão.
     - Última estrofe:
Se Deus me ouvisse
Com amor e caridade
Me faria essa vontade
O ideal do coração:
Era que a morte
A descantar me surpreendesse
E eu morresse numa noite
De luar do meu sertão. 

     Música: Talento e Formosura.
    Cantor: Paulo Tapajós.
    Poema:
     Início: 
Tu podes bem guardar os dons da formosura
Que o tempo, um dia, há de implacável trucidar.
Tu podes bem viver ufana de ventura
Que a natureza, cegamente, quis te dar.
Prossegue, embora em flóreas sendas, sempre ovante,
De glórias cheias no teu sólio triunfante,
Antes que a morte vibre em ti funéreo golpe seu
A natureza irá roubando o que te deu...
     Final:
Mas quando a morte conduzir-te à sepultura,
O teu supremo orgulho em pó reduzirá.
E após a morte profanar-te a formosura, 
Dos teus encantos mais ninguém se lembrará.
Mas quando Deus fechar meus olhos sonhadores,
Serei lembrado pelos bardos trovadores, 
Que os versos meus hão de na lira em magos tons gemer
E eu, morto embora, nas canções hei de viver...



     2 – Compositor: Cândido “Índio” das Neves.
     Música: Noite cheia de Estrelas.
     Cantor: Vicente Celestino.
     Poema: 
     Início:
Noite alta céu risonho;
A quietude é quase um sonho.
O luar cai sobre a mata
Qual uma chuva de prata
De raríssimo esplendor.
Só tu dormes, não escuta o teu cantor,
Revelando à Lua airosa
A história dolorosa desse amor...
     Final:
Lá no alto a Lua esquiva
Está no céu tão pensativa.
As estrelas tão serenas
Qual dilúvio de falenas
Andam tontas ao luar.
Todo astral ficou silente
Para escutar
O teu nome entre as endechas
As dolorosas queixas ao luar.

     Música: Última Estrofe.
     Cantor: Orlando Silva.
     Poema:
     Início: 
A noite estava assim enluarada
Quando a voz já bem cansada Eu ouvi de um trovador.
Nos versos que vibravam de harmonia
Ele em lágrimas dizia
Da saudade de um amor.
Falava de um beijo apaixonado, 
De um amor desesperado,
Que tão cedo teve fim...
     Final:
E a Lua que rondava a natureza,
Solidária com a tristeza,
Entre as nuvens se escondeu.
Cantor, que assim falas à Lua,
Minha história é igual à tua.
Meu amor também fugiu, 
Disse eu em ais convulsos.
E ele então, entre soluços,
Toda a estrofe repetiu. 


- Da segunda metade do século passado: 

Presenciei, nos anos 50, a intromissão das músicas norte-
americanas  em  nossa  cultura musical,  agitando  jovens  ouvintes,
que  passaram a dar maior  valor ao  que  vinha do  estrangeiro.  E,
realmente, foi um sucesso entre os da nova geração do pós-guerra.  
Lembro-me como sacudíamos o corpo ouvindo os primeiros
“Rock’n’Roll”  transmitidos  pelas  emissoras  de  rádio.  Como,  por
exemplo, a composição “Rock Around The Clock”, com “Bill Haley &
His  Comets”;  do  primeiro  divulgador  do  novo  ritmo,  Elvis  Presley,
introduzindo, inclusive, baladas; e muitos outros, do quais não me
recordo, com precisão, no momento. 
Do  Reino  Unido,  veio,  um  pouco  mais  tarde,  a  mais
famosa banda – os Beatles. 
Enfim,  foi uma  enxurrada de boas  e  péssimas  criações. A
nossa música popular foi sendo lentamente posta de lado. Já não se
escutava  sambas  e  choros  como  antigamente.  Grandes  nomes  do
cancioneiro nacional começavam a ser esquecidos.
 Com  o  passar dos anos,  o  lixo  cultural norte-americano
foi dominando a nossa fraca cultura; e, com isto, particularmente,
eu fui buscar, em outras áreas e em minhas raízes, a boa e eterna
música clássica erudita.
 Nesse  interregno, não posso deixar de mencionar a MPB,
que  se  esforçava  por  salvar  a  nossa  cultura;  dos  quais  um  nome
vem-me  a  lembrança  de  imediato:  Chico  Buarque,  com  suas
composições de protesto no último período ditatorial. Uma das que
mais admiro é “Construção”, que contem aqueles versos:
“Tijolo com tijolo  num  desenho  mágico”  e  “Tijolo  com  tijolo  num  desenho
lógico”;  onde  ligo  ao  meu  esforço  literário  para  construir  uma
poesia. 
Por  falar  em  música  clássica  erudita,  foi  na  minha
adolescência, que fiz o meu primeiro contato. Escutei, na vitrola de
um  vizinho,  a  reprodução  da  “Rapsódia  Húngara    2”  do
compositor Franz Liszt, que este ano está a completar 200 anos do
seu  nascimento    fiquei  profundamente  emocionado  e
transportando-me  em  espírito  àquelas  paisagens  do  século  XIX.  E
lhes adianto: até hoje.  No ano seguinte, logo após o almoço e quase
que  diariamente,  dirigia-me  à  casa  de  um  dos  meus  tios  para
escutar  a  suíte  sinfônica  “Sheherazade”,  do  compositor  russo
Rimsky Korsakov. Nas idas e vindas para a escola, eu ia cantando,
mentalmente, os compassos que mais me emocionavam. Aos vinte e
um  anos  de  idade,  tornei-me  sócio  da  Orquestra  Sinfônica
Brasileira, a fim de assistir aos domingos, no Theatro Municipal, os
Concertos  para  a  Juventude.  E  assim  fui  me  entrosando  com  a
música clássica erudita, a ponto de atualmente ter os meus rádios
receptores  sintonizados, exclusivamente, na MEC; e, por  favor, não
mexam nos sintonizadores. 
Tudo isto não significa que eu passei a repudiar a música
popular;  muito  pelo  contrário,  dou  valor  ao  que  é
comprovadamente bom e belo e culto. 
 Lembro-me de um comunicador – Flávio Cavalcante – que
quebrava  long-plays  que  continham  o  pior  das  produções
fonográficas.
 Percebo  que  o  único  modo  de  impedir  a  invasão  da
mediocridade é pela educação e desenvolvimento da sensibilidade
do  ser humano. Talvez, por  isto,  são nas comunidades carentes de
uma  formação elevada, é que a banalidade assenta suas raízes. E
apesar  desta  triste  corrente  cultural,  testemunho  com  alegria,  o
surgimento  de  jovens  oriundos  daquelas  comunidades,  a
executarem  instrumentos  musicais  clássicos  em  uma  orquestra
sinfônica. 
Bem, como  se diz na  fala popular:  “gosto não  se discute”.
Todavia, com licença dos demais, aqui estou manifestando sobre o
meu gosto e do que me causa prazer sublimado. 
Tenho dito! 

Em 30 de maio de 2011.

Samuel Kauffmann.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Crônica do Dia

Olá caros leitores, hoje temos mais uma crônica sobre música! Dessa vez, o aluno Oswaldo nos mostra, com ar poético, a sua visão sobre o assunto. Aproveitem!

Música

Dentre os temas recebidos para tecermos uma crônica -utilizando- nos, naturalmente, de palavras capazes de produzirem sons gramaticalmente corretos e de audibilidade aos ouvidos, sedentos de sons harmoniosos- este representa a expressão máxima do deleite.
Segundo nosso amigo Aurélio, música é "arte e ciência de combinar os sons de modo agradável ao ouvido".
Também a música, ou principalmente ela, apresenta característica básica de ter a possibilidade de encantar nossa sensibilidade acústica com uma sonoridade agradável e repousante. 
Relativamente, poucas são as atividades que oferecem um prazer tão especial quanto a música.
Não obstante essas possibilidades, encontramos páginas musicais nos mais diferentes estilos e, naturalmente, podendo agradar ou desagradar a gregos e troianos.
Sem querermos pesquisar o gosto musical de uns e outros, nem também estipular qual a melhor música, devemos ver que, cada um de nós tem uma sensibilidade diferente e, por isso mesmo, percebe diferentemente cada um dos vários estilos musicais. 
Por isso, nada melhor do que mantermos nosso gosto musical individual, respeitando, naturalmente, o de nossos companheiros, pois todos temos a obrigação de desenvolver nossas possibilidades prazerosas. Artisticamente, quando, naturalmente, tivermos, para isso, "engenho e arte".
Desse modo, surgem -nas mentes de uns e outros- desejos mais acentuados ou menos relevantes quanto à estesia musical. 
Isso, entretanto, não é empecilho a que tenhamos nossas preferências sonoras. 
E, percebamos, que bem a música nos faz!

Oswaldo Pereira

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Crônica do Dia

Hoje, na nossa semana da música, temos o texto do aluno Homero, que nos conta fatos cotidianos relacionados com ela e sua influência na nossa vida. 

Música como defesa de tese


Não dá para entender essa resistência do ensino no Brasil, para impedir que a música faça parte do ensino fundamental. Em todos os seus ângulos de abordagem, o pior é que se alguém tentar descobrir quem é o responsável, por tal resistência, não vai encontrar, já que todos se escondem por detrás  de títulos de doutorado e mestrado e como tal, intocáveis.
Ainda agora, estamos vendo livros didáticos, serem recusados, por fugirem à finalidade do ensino de boa qualidade . Mas, o que terá música a ver com toda essa história ?
Simplesmente, na música se encontram referências a todos os fatos históricos, da geografia, da poesia, da política e da arte. Tenho uma amiga que ao fazer uma prova que dependia de nomes e datas, recorreu a letra de um samba enredo de uma escola de samba e acertou todas as questões, tirando um belíssimo dez !
Se nós observássemos na letra dos hinos pátrios iriamos encontrar ali memoráveis feitos alcançados  e metas a serem atingidas. 
Ary Barroso levou ao mundo versos como a história da lavoura de Minas Gerais, as belezas do Brasil e tantas outras belíssimas páginas. 
Lamartine Babo em sua canção do dia, fazia um verdadeiro relatório diário de tudo aquilo que de mais relevante  acontecera no Rio, além de de ter colocado na voz de cada torcedor de futebol, o hino do seu clube. Onde os feitos do time eram cantados tendo dito ainda da beleza do vestido branco da mulher com quem sonhara.
Pixinguinha, com o seu "Carinhoso", falou para o mundo inteiro, sobre a história de um amor, de uma pureza de fazer inveja. Daquele que ouvi na voz de Orlando Silva, aquela preciosidade. 
O Rio de Janeiro, nos versos de André Filho, com seus encantos mil, Cidade Maravilhosa, Coração do Meu Brasil.
Chiquinha Gonzaga, rompendo todos os preconceitos contra a mulher pediu para abrirem alas, para que ela  passasse, para ir jogar na roleta que o chefe da polícia mandou instalar no Largo da Carioca. 
Noel Rosa, disse que a Vila não queria abafar ninguém, só queria mostrar que fazia samba também; e pelo telefone 2234-4333, telefone até usado pela Rede Globo sempre que tem chance.
Jobim e Vinicius, falaram da "Garota de Ipanema" de forma tão terna e gostosa que acabaram levando-a para fora do Brasil para ser cantada por Frank Sinatra. 
Dorival Caymmi, disse que os clarins da Banda militar tocaram para anunciar, que a Dora ia passar  e que viessem ver o que é bom. Tendo ainda ao final da noite ninado as crianças com o seu boi da cara preta. 
Luiz Vieira , com o "Menino Passarinho", deixou uma mensagem tão poderosa que ninguém daquele não lembra com arrepios da beleza da melodia. 
E Gilberto Gil, disse que o Rio continua lindo, de Janeiro, Fevereiro e Março. 
Mas, como disse a  música é a portadora de boas e más notícias, como é o caso da música "Caprichos do Destino", cantada por Orlando Silva, a letra é tão amarga, que nem vale a pena registrar. Pena é que naquele tempo ainda não tínhamos esses serviços de socorro aos atingidos por depressão. Se tivéssemos, o autor não teria ido ao suicídio. 
Tive vários amigos cantores, compositores e em sua maioria, pessoas com um astral magnifico, mas nem sempre aproveitados naquilo que tinham de melhor.
Agora mesmo, estamos vendo o desarticular de pessoas acomodadas na Ordem Dos Músicos que pelos vícios acumulados deixaram que tudo aquilo de bom acumulado fosse por água abaixo. 
Em Teresópolis, existe os restos mortais de uma entidade que fora mantida com recursos vindos do exterior, onde eram preparados cantores líricos, bailarinos e outros que após preparados, eram mandados para o mercado europeu, de onde jamais voltavam, pela excelência do trabalho feito.
Essa entidade teve que mudar as suas dependências do centro da cidade, devido ao grande número de reclamações feitas por pessoas, pois uma escala de piano ou um vocalizo, incomodavam muito, mas suportavam com muita naturalidade, a música sertaneja e hoje com toda a certeza, o funk, com essa letra que fala nada sobre coisa alguma.
Em São Paulo, a empresa fornecedora de gás teve que troca a música clássica que tocavam durante o fornecimento do gás pela música sertaneja e ai, justificando o sucesso do Mazaroppi e outros usuários de um português mais amacarronado.
é uma pena que a nossa música não receba no Brasil, o tratamento que recebe no exterior. 
Aos domingos, dá gosto de ouvir-se o chorinho na Praça São Salvador, no Largo do Machado, onde pessoas de todas as idades, ali comparecem e só em ver a satisfação daquela gente. A impressão que se tem ao ver uma senhora com mas de 70 anos de idade pegar a sua flauta e tocar com muita alegria. E no final, todo o grupo cantar uma antiga melodia, dando o melhor de si.
O que ninguém tem notado na música internacional é a presença maligna de um inimigo oculto sob a capa de cordeiro.
Bem, isso já é o outro lado da história !
E o que nos interessa, é a música !                                                                                                      

terça-feira, 14 de junho de 2011

Crônica do Dia

A aluna Stella, hoje, nos conta (conta ou canta?) o que ouviu da lua. E Aurora Miranda interpreta a belíssima canção de Custódio Mesquita, Se a lua contasse.

Música



Na teoria, música é um conjunto de sons e palavras que se juntam e nos levam aos mais distantes e variados locais.
A vida é um emaranhado de músicas que nos enlevam e nos fazem sentir, outra vez, felizes, com raiva, com mágoa, tristes, e muitas vezes nem sabemos qual o sentimento que nos vem ao coração: saudade, felicidade, alegria...? Não sabemos!
"Se a lua contasse", dizia Custódio Mesquita, "tudo o que vê, de mim e de você muito teria o que contar".
Mas o que a lua contaria? Contaria aquilo que viu ou aquilo que sentimos?
"Contaria que nos viu brigando e viu você chorando, me pedindo pra voltar."
Quanto drama se esconde em palavras poucas e simples! Daria até pra fazer um filme ou escrever um livro, não acham?
"Somente a lua foi testemunha daquele beijo sensacional. Nesse momento, foi tal o enlevo, que a própria lua sentiu-se mal."
Ao redor do mundo inteiro, quantas cenas iguais a essa a lua já não presenciou?
"Só as estrelas que cintilavam, hoje dão conta do que se viu. Contam que a lua foi desmaiando, caiu nas ondas, boiou... Sumiu."
Embora a lua tenha tido um final meio trágico, sempre há testemunhas como as estrelas, como Custódio Mesquita, e tantos outros, que farão músicas, livros, e até crônicas como esta, que você, leitor, acabou de ouvir e ler!